O trabalho de brincar | Especial Montessori

Em 07.10.2016   Arquivado em Mundo Mãe

Maria Montessori escreveu que “A brincadeira é o trabalho da criança”, e para Montessori, o trabalho da criança é o que havia de mais precioso no mundo. Fazendo um paralelo com a importância que o adulto dá ao trabalho, Montessori explica que, se o adulto constrói produtos, então a criança constrói a própria vida, e a fundação do futuro da espécie humana e da civilização.

Susan Linn, psicóloga norte americana e autora do livro “Crianças do Consumo: A Infância Roubada”, disse em uma entrevista que “parece que fazemos tudo em nosso alcance para evitar que as crianças brinquem”, isso é muito sério e, infelizmente, muito real…

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“A cada vez que ligamos a televisão e colocamos em frente nossa criança, e ela vidra os olhos na tela, e não os desgruda até que a TV seja desligada, estamos infringindo a Declaração Universal dos Direitos da Criança, pois se não estivesse em frente à TV, estaria brincando, como fizeram nossos antepassados até chegarmos aqui.

A saber, a Declaração Universal dos Direitos da Criança, diz:

A criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação; a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o exercício deste direito.

O surgimento de brinquedos que brincam sozinhos, junto com as telas de TV, são o que há de mais fácil para que os adultos administrem e silenciem as crianças, sob a justificativa de que “ajudam no desenvolvimento das crianças”. A verdade é que com isso as crianças não pensam, não imaginam, não criam, devido ao baixíssimo potencial de criatividade e inovação que ambos oferecem.

BRINCAR DÁ TRABALHO 

Sim, dá trabalho para os pais que precisarão deixar de lado suas tarefas por alguns instantes, provavelmente terão que ser cavalinhos, amigo de brincadeira, herói… Precisarão ficar atentos à criança, garantindo sua segurança, mas também dando-lhe liberdade para exercitar sua autonomia e desenvolver suas habilidades! Depois precisarão dar banho, lavar as roupas sujas… Mas não é assim que se criam boas memórias, histórias, se faz amigos, vive-se as gargalhadas? Se não, como seria?

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BRINCAR É COISA SÉRIA

O Lar Montessori nos indica uma lista breve de pontos a se pensar sobre os brinquedos e o brincar em casa, que resumimos aqui:

  1.  Pouco vale muito – Tenha poucos brinquedos e faça rodízio, mantendo uns 6 disponíveis por vez. É pouco provável que ela tenha real paixão, ao mesmo tempo, por mais de seis brinquedos. Libere e adapte o resto de sua casa, toda ela é também possibilidade de brincar para a criança. Além disso, tendo poucos brinquedos, você pode pensar mais em cada um que for fazer ou adquirir, e pode gastar um pouco mais (de tempo ou dinheiro) também, com coisas melhores. Fora isso, e você vai adorar ver acontecer, poucos brinquedos levam a uma fácil administração da ordem – tanto você quanto sua criança terão mais facilidade em manter tudo no lugar.

  2. Ame e conheça o universo – os brinquedos e as brincadeiras vendidas nas lojas e nos programas de televisão são, em geral, vazios(as), bobos(as) e ausentes de sentido. São feitos para distrair, entreter e, no limite, alienar. A criança, diferente do adulto, não sente necessidade de descansar do mundo real. Ela deseja absorvê-lo inteiro. Quando for escolher um brinquedo ou uma brincadeira, pense: “Qual maravilha do mundo real estou levando para meu filho (ou aluno) agora?“. Maravilhar-se com o real é o grande segredo de todos os cientistas, artistas, filósofos e líderes políticos e religiosos – experimente tentar você também. O seu filho, com certeza, vai adorar.

  3. Viver é desenvolver – A criança não quer perder tempo. Ela vai aproveitar cada chance que tiver, desde descer, com dificuldade e esforço, de seu colchão ao chão, até pegar as frutas e os legumes das cestas da cozinha e manipulá-los com a mão e a boca. Ao planejar uma brincadeira para seu filho, tenha em mente o momento de seu desenvolvimento, as necessidades que ele vem manifestando e você vem percebendo em uma observação atenta. Não compre brinquedos que sejam autossuficientes, que façam tudo sozinhos. Não compre brinquedos que não servem para nada. Você pode presentear seu filho com um boneco ou uma boneca, mas dê mais do que isso. Os brinquedos legais, aqueles pelos quais ele vai se apaixonar, são aqueles que exigem muito de seu cérebro em formação, e aqueles que permitem a ele o que chamamos de final aberto, em que é possível trabalhar por muito tempo livremente, ou descobrir pela exploração e o raciocínio a solução de um enigma.

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BRINQUEDOS DE BRINCAR

Os verdadeiros brinquedos são aqueles que permitem à criança brincar! Confira aqui alguns deles:

Móbiles – São ideais para bebês e podem ser trocados à medida que crescem, partindo do monocromático para os coloridos com formas complexas. Podem ser feitos de papel pelos pais ou avós, ou até mesmo pelo irmão mais velho.

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Fitas coloridas, adesivas, post-it e cotonetes – São exemplos de brinquedos “modernos” que trabalharão a coordenação motora fina e manterão a criança entretida por um bom tempo. Para a brincadeira com cotonetes é necessária mais atenção ao supervisionar.

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Chocalhos – Preferencialmente que não tenham pontas ou se quebrem, atrairão a atenção da criança e já trabalharão o aspecto rítmico.

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Painel Sensorial – Pode ser feito em casa com diversos materiais que exploram a curiosidade dos pequenos. Vale tecidos, grãos, objetos e texturas variadas.

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Blocos de empilhar e seriar – Desenvolvem a mente da criança e desafiam a conquistar um objetivo, explorando as inúmeras possibilidades. É importante que os pais se contenham em querer montar corretamente antes da criança, pois ela simplesmente não imagina que não vai conseguir, portanto, irá tentar quantas vezes for necessário.

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Cesto dos Tesouros – Alguns objetos colocados num cesto para que os bebês possam explorar a seu tempo e com mínima intervenção. Podem ser artigos seguros de cozinha como peneiras, colher de pau, pincel de silicone. Ou de objetos por categoria como praia, instrumentos musicais primitivos, bolas etc.

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Brincadeiras de mini mundo – Brinquedos de madeira e outros materiais, variados tipos como trenzinhos, carrinhos, bonecos de pano, instrumentos musicais, irão permitir a criatividade e inovação que a criança desejar produzir ou reproduzir.

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Brincadeiras com o próprio corpo – Circuitos, risco no chão, amarelinha, tudo que envolva braços e pernas será diversão. Se envolver a família então, teremos uma brincadeira plena. Aliás, aqui existe um mundo infinito e encantador para a criança, pois nada pode ser mais incrível do que ter seus pais e familiares envolvidos numa brincadeira, passando tempo exclusivamente com ela! O site “Tempo Junto” traz propostas incríveis para todas as idades dos pequenos com o envolvimento da família. São propostas com uso de materiais simples de uma casa, que não exige habilidades artísticas, mas que trazem o brincar verdadeiro à tona, uma página encantadora!

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Natureza e Parquinhos – Mais do que máquinas ou equipamentos reunidos, é importante que haja o máximo natural como troncos, pedras, árvores e plantas. Mexer com diferentes texturas, carregar peso, transplantar, plantar, empilhar e construir são algumas das muitas atividades que um espaço natural oferece. 

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Torre de Aprendizagem Montessori – A criança tem interesse natural por participar das atividades “adultas” nas pias e fogões e é capaz de arrastar sozinha uma cadeira até seu objetivo. É natural o interesse por tais atividades já que a criança tende a fazer o que seus pais ou cuidadores fazem. Para garantir a segurança, uma torre apropriada é interessante.

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Faz de conta – Montessori nunca foi contra o faz-de-conta. A brincadeira de fingir que tem como base o mundo real é uma exploração psicológica, criativa e emocional do mundo que circunda a criança. Evitamos, isso sim, embarcar em um mundo de fantasia, com elementos que fogem ao que pode ser percebido pelos sentidos e, portanto, confundem a criança em sua percepção da realidade, não auxiliando em nada em seu desenvolvimento. Mas o faz-de-conta que copia algo real é belíssimo, e ajuda a criança a compreender melhor o ambiente em que vive. Aqui estão as caixas de papelão que podem virar diversos brinquedos e permitir brincadeiras inusitadas.

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Woodbike – Ela não foi criada por Maria Montessori, mas analisando ela respeita os princípios básicos, por exemplo, valoriza muito mais o processo do que o produto e leva em consideração os estágios de desenvolvimento da criança. Uma peça que acompanha a criança de um a cinco anos, adaptando em 3 posições diferentes.  

Ela é de equilíbrio, então a criança usa as pernas pra se locomover. Já reparou como é natural a criança ignorar os pedais de uma bicicleta e usar as pernas pra se locomover em uma bicicleta, tonquinha, triciclo ou carrinho? Significa que é assim que a natureza da criança pede! 

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Se você esquecer todo esse texto, lembre-se de analisar os seguintes aspectos para validar ou não um brinquedo legítimo:

  • São de madeira ou metal, preferencialmente;
  • Têm poucas cores e são leves;
  • São agradáveis ao toque;
  • Apresentam um desafio à criança;
  • Não são máquinas e não levam pilha;
  • Dependem das mãos da criança para funcionar;
  • Não dependem do adulto;
  • São de pouco peso;
  • São esteticamente agradáveis;
  • Se são miniaturas, são miniaturas, e não caricaturas da realidade;
  • Têm um objetivo principal – e, talvez, alguns secundários;
  • Não subestima a inteligência da criança e está atento às fases do seu desenvolvimento.

Então, vamos aproveitar para brincar e permitir às crianças o brincar!

Beijos!!! 

Esse texto foi escrito por Audrey Omote Montechezi, diretora da loja Ticos e Piticos, em parceria com Tempo Junto.

Método Montessoriano – O que é? | Especial Montessori

Em 15.09.2016   Arquivado em Mundo Mãe

Olá, tudo bem? Hoje vamos falar um pouco sobre o Método Montessoriano que vem sendo cada vez mais discutido e querido pelas famílias brasileiras.
Quando estava grávida do Pedro, pesquisei muito a respeito desse quarto, brinquedoteca e amei, mas por ser “novidade” no país 3 anos atrás, as coisas para montar o cômodo ainda eram muito caras e de difícil acesso, por isso fiz o quarto tradicional para ele. Hoje vou contar como esse método surgiu! Sabia que ele foi aplicado primeiramente nas escolas? Confira aqui:

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O que é

O Método Montessori é um conjunto de saberes, práticas e propostas cuja metodologia dá ênfase a independência, liberdade com limites e respeito pelo desenvolvimento natural das habilidades físicas, sociais e psicológicas da criança.

A educadora, imbuída do dom da pesquisa científica e do olhar observador, Maria Montessori, analisou o comportamento infantil, sua inegável espontaneidade, e a partir desta avaliação elaborou a metodologia mais apropriada para elas. Entre suas inovações destaca-se a construção de um ambiente escolar próprio para a infância, distinto do universo adulto no qual as crianças não se encaixam.

O método Montessori opõe-se aos métodos tradicionais que não respeitam as necessidades e os mecanismos evolutivos do desenvolvimento natural da criança. O ponto mais importante do método é a possibilidade de libertar a verdadeira natureza do indivíduo, para que esta possa ser observada, compreendida, e para que a educação se desenvolva com base na evolução da criança, e não o contrário.

Montessori no quarto

Na mesma linha se propõe um ambiente doméstico, onde os objetos – brinquedos, espelhos, mesinhas e outros, destacados por Montessori – tem papel preponderante no seu trabalho educativo, pois pressupõe a compreensão das coisas a partir delas mesmas, tendo como função a estimular e desenvolver na criança  um impulso interior que se manifesta no trabalho espontâneo e individual de cada pessoa.

quarto mobiliado no estilo montessouriano

Exemplo de quarto montessoriano. Imagem: Pinterest

Com objetos acessíveis e seguros, a criança tem liberdade para explorar seus limites e testar a si mesma e ao ambiente, dando vazão à curiosidade e encontrando meios e caminhos para internalizar experiências ricamente úteis. Assim, recomenda-se organizar o quarto e outros ambientes para a criança e não para o adulto, seguindo na perspectiva da criança com empatia e possibilitando tal exploração de forma segura e saudável.

{Aguarde que semana que vem terão lindos quartinhos para você se inspirar! 😉 }

Sobre a autora

Maria Montessori, italiana, foi uma educadora, médica, católica cristã e pedagoga. Ao ser impedida de clinicar (na época não se admitia uma mulher examinando o corpo de um homem), iniciou um trabalho com crianças com necessidades especiais na clínica da universidade, vindo posteriormente dedicar-se a experimentar em crianças, sem comprometimento algum, os procedimentos usados na educação dos que tinham algum comprometimento. Observou, também, crianças que brincavam nas ruas e criou um espaço educacional para estas crianças – a Casa dei Bambini.

Tornou-se então conhecida pelo método educativo que desenvolveu e que é muito praticado, sobretudo na Europa.

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Gostou? Já conhecia? Você usou ou usa esse método na sua casa?

Na próxima semana falaremos dos quartos! Terá dicas de móveis, exemplos de quartinhos e tudo acessível para nós! ♥ Já penso em fazer esse método para o próximo baby!! hahaha

Se você ficou curioso e quer saber mais sobre “montessoriano”, indico a página Ticos e Piticos! Estou encantada por ela!

Beijos e até mais!!! 

Esse post foi feito em parceria com Ticos e Piticos.